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Quadrinhos Nacionais: Argos

  • 8 de ago. de 2017
  • 3 min de leitura

Toda terça feira é dia de quadrinho nacional aqui no HIPERTEXTOS. Projetos bacanas, boas histórias, e gente criativa que eu venho conhecendo ao longo dos últimos anos, já que resolvi me embrenhar nesse mundo também como criador. Espero que se divirtam o tanto quanto eu tenho me divertido.

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Argos - um fim do mundo muito louco


Argos é uma das HQs prediletas aqui de casa. Já li algumas vezes e quando mostrei ao Pedro, meu filho, ele leu e releu assim que terminou a primeira leitura. Em um mundo pós apocalíptico conhecemos, já na primeira página, a barda Rita. A desolação não abalou em nada o apetite da menina em compor suas canções e cantar, mas a gente sabe bem que um bardo viaja em busca de feitos heroicos, e tá faltando inspiração num caminho tão solitário.


Eis que, então, a inspiração cai literalmente do céu. Um guerreiro enorme, duas pequenas criaturas (que parecem alienígenas) e uma massa cor de rosa com antenas são o time de heróis que Rita vai acompanhar e cujos feitos vai contar. O guerreiro, que se apresenta como Max, avisa que o grupo está indo para Argos, um lugar “onde está todo o conhecimento do povo antigo”. Max busca a solução para uma mazela que acometeu seu rei, e em Argos espera encontrar essa resposta.


Rita se junta à jornada e vai nos apresentando os personagens ao melhor estilo de um menestrel, cantando e rimando. Quatro é um dos pequenos seres, por conta de seus 4 olhos. O outro, com cara de inseto gigante, é Cagão. A massa cor de rosa se chama Almofada. E lá vai a comitiva em busca de Argos.



A chegada do grupo ao destino é um dos momentos inesquecíveis da história. Perde totalmente a graça se eu contar, mas dá pra adiantar que é uma referência que vai esquentar o coração dos quarentões que foram crianças e adolescentes nos anos 80. Daí para o desfecho da aventura rola uma sequência de ação desencadeada bizarramente pela cantoria de Rita, e a última página tem um fechamento que ao mesmo tempo que é extremamente redondo também dá a possibilidade de mais aventuras nesse mundo louco.


Os responsáveis pela empreitada são o Leo Martinelli (roteiro) e o Raphael Salimena (roteiro e desenhos). Os caras provam, de forma inteligente, que dá pra usar um monte de referências sem ser gratuito e forçar a barra. As campanhas de RPG e o cinema rendem os melhores momentos e as piadas mais divertidas, mas tem mais coisa nas entrelinhas. Bom é ver como uma aventura de proporções épicas pode ser tão bem contada em 20 páginas, com texto dinâmico e arte que atende perfeitamente à ideia da narrativa. A dupla já tinha trabalhado junta antes em Bela Lugosi is Dead e St. Bastard, duas HQs que podem ser lidas gratuitamente em www.stbastard.com.br.



A publicação de Argos é da Editora Draco, do incansável Erick Santos, que engrossou as fileiras do seu exército com o Raphael Fernandes em 2014. A Draco é focada em autores brasileiros de literatura fantástica, ficção científica e especulativa, e Fernandes chegou na casa pra cuidar das edições de quadrinhos, área que cresce substancialmente dentro do negócio e tem proporcionado a publicação de muitos outros trabalhos bacanas. Alguns meses atrás, inclusive, publicaram uma coletânea da série de tirinhas Linha do Trem, também de Salimena, e já popular na internet. Recomendo tão efusivamente quanto Argos.


Só clicar nos links aí embaixo. Até semana que vem.


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